sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Lover, I don't have to love

"Apenas observo porque já não tenho voz, mas ainda procuro luz, ainda que nos lugares mais escuros. Já não tenho 4 cavidades: meu coração possui apenas 3, as quais têm me envenenado diariamente"
Visando seu recado, ele logo soube que aquela era a resposta para a sua pergunta. E se ela não ia bem, ele não ia bem, pois não havia "ele" ou "ela"; havia "ambos", um só corpo que divide oxigênio, amor e alma para dois. E mesmo que ela já não conseguisse amar, ele ainda conseguia. E conseguindo, pôde mexer seus pés até o caminho de sua casa, onde se encontraram e dividiram o pouco de oxigênio, amor e alma que ainda lhes restava. Mas sua última dose de amor acabou, e logo viram-se distantes, como tantos outros, tantos loucos, que deixam-se descansar nos braços do amor e, depois que os braços já não podem sustentar-lhes, ficam com as garras, as quais lhe arranham e os definham vagarosamente até que não lhes reste nada. Nem doçura, nem maciez, nem amor: só o seco, o pó, o resto do que já foi, que tanto tentam trazer de volta.

Nenhum comentário: