domingo, 27 de setembro de 2009

Amnésia contrária

Sei que já é tarde para dizer-te, mas serei direta e breve: sinto sua falta. Sinto uma enorme saudade e nostalgia quando penso nas palavras as quais trocamos. E hoje, em uma daquelas crises de abstinência por falta tua, procurei a última lembrança nossa que havia dentro da gaveta: sumira. Logo iniciou-se uma tragédia grega, onde o diálogo consistia, basicamente, em: "Cadê, cadê? Onde está? Quem pegou? Como poderá ter sido? Evaporou?!"
Então, continuei sozinha, claro. Eu e eu mesma, como sempre havia sido, mesmo quando você estava por perto. Perguntar-me não traria nossa lembrança de volta. Pior: não o traria de volta. Como sempre, pus-me a chorar. Não sei quanto tempo passei chorando, mas sei que foi o suficiente para me tirar todas as forças que tinha para seguir durante o dia. Resultado? Não havia. Não segui. Em algum momento, de tão cansada, adormeci. E agora estou aqui, de volta à realidade que tanto me machuca.
Em meus sonhos, você ainda é meu, saiba.
Por isso acordar me é tão triste: sinto uma enorme vontade de tê-lo como há pouco, e então ponho-me a escrever-te cartas como esta. O irônico é: perder o ingresso de um filme ao qual assistimos juntos, não apaga a sua lembrança, por mais que eu o tivesse guardado para lembrá-lo. Porque você deixou marca mais forte: você deixou amor.

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